POLÍCIA

Investigado por acidente é preso pela Polícia Civil

07 08 2018 - Braulino

07 ago, 2018

Foi preso na tarde desta terça-feira (7), por agentes da Polícia Civil de Frutal, o motorista Braulino Botelho de Lima, 56 anos, suspeito de provocar a morte de uma criança em acidente na MG-255, no dia 29 de julho (domingo). O cumprimento do mandado de prisão preventiva, expedido pela Justiça da Comarca, foi acompanhado pelo delegado João Carlos Pietro Júnior, que preside o inquérito que investiga o caso. Após a prisão, Braulino foi levado para a Delegacia de Polícia Civil.

A prisão acontece quatro dias depois do motorista se apresentar a Polícia Civil. Na sexta-feira (3) pela manhã, Braulino esteve na Delegacia de falou sobre o acidente. Além de assumir ser o condutor da caminhonete envolvida no acidente, uma Ford F-350, gaiola, de cor vermelha e placa KFA-4589, ele deu sua versão para o caso. As informações foram divulgadas pelo delegado regional da Polícia Civil, Fabrício de Oliveira Altemar, em coletiva à imprensa na tarde do mesmo dia.

Conforme contou o delegado Fabrício, Braulino declarou que no domingo (dia 29 de julho) foi até ao povoado de Pradolândia para buscar uma encomenda. No retorno a Frutal, ao perceber um veículo parado sobre a pista de rolamento da MG-255, ele disse ter desviado para o acostamento. Neste momento, o motorista declarou ter sentido um impacto, mas afirmou não ter visto o que ocorreu, pois levantou uma grande poeira no local. Temendo ser uma tentativa de assalto, ele não parou e seguiu diretamente para sua casa.

Ainda segundo o delegado, após estacionar na garagem da residência, Braulino teria percebido um amassado na caminhonete e, imediatamente, mantido contato com a seguradora do veículo. Logo depois, acompanhado de um amigo, ele afirmou ter retornado ao local do acidente, mas já não teria visto mais ninguém na rodovia. O motorista afirma que somente soube da morte da criança no dia seguinte. Foi quando, segundo seu depoimento, entrou em desespero e saiu da cidade.

Ao ser questionado se estaria embriagado na noite do atropelamento, Braulino negou que tenha feito ingestão de bebida alcoólica, afirmando que a garrafa de pinga encontrada em sua caminhonete teria sido um presente e que estava lacrada. Quanto à pintura do veículo, feita com tinta spray na cor vermelha (uma tentativa de ocultar o amassamento), o motorista apontou a esposa como responsável, sem entrar em detalhes. O nome da mulher não foi divulgado pela Polícia Civil.

De acordo com o delegado regional Fabrício de Oliveira Altemar, Braulino – que em razão de ter se apresentado irá responder o inquérito em liberdade – é suspeito da prática de pelo menos quatro crimes: homicídio culposo (quando não há intenção de matar), omissão de socorro, fraude processual e embriaguez ao volante. Como a Polícia Civil prossegue com a apuração do caso e ainda há laudos para serem juntados pela Perícia Técnica, não é descartada a inclusão ou extinção de crimes na investigação.

 

RELEMBRE O CASO

O atropelamento que matou o garoto Junior Cezar Correia Filho, 11 anos, ocorreu na noite de domingo (29 de julho), na altura do quilômetro 3 da MG-255, próximo ao Motel Carpe Diem. Junior Filho ajudava o pai, o produtor rural Junior Cezar Correia, 40 anos, empurrar uma caminhonete, quando foi atropelado, por volta de 20h30. O condutor do veículo que o atropelou estava em alta velocidade e não parou para prestar auxílio.

Junior Filho chegou a ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros, mas morreu momentos depois de dar entrada no Hospital Frei Gabriel. O óbito foi atestado pelo médico Rubens Urzedo Rodrigues. “Quando chegamos ao local do acidente encontramos o pai sobre o corpo do filho. Ele estava transtornado e fazia uma oração em grande desespero”, contou o sargento Camargos, um dos militares que participou da ocorrência.

Em depoimento à Polícia Militar Rodoviária, Junior Cezar contou que trafegava pela rodovia com sua caminhonete GM Chevrolet C 10, de placa GRO-2854, no sentido decrescente (Itapagipe-Frutal), quando o veículo repentinamente parou sobre a pista. O rompimento de uma mangueira provocou pane seca. Com intuito de evitar acidente, ele desceu e com a ajuda do filho empurrou a caminhonete para fora da via de rolamento.

Quando já estavam praticamente no acostamento, ainda conforme Junior Cezar, apareceu um veículo até então não identificado, que trafegava no mesmo sentido e atropelou o garoto. Ele estaria em alta velocidade e teria atingido a vítima no acostamento. Junior Filho foi lançado distante cerca de 30 metros do ponto que foi atingido. Após o impacto, o menino, que sofreu múltiplas fraturas, permaneceu imóvel e desacordado.

O pai disse que em razão de uma grande poeira que levantou no local, que possui um aterro para acesso a empresas e fazendas nas proximidades, demorou um tempo para localizar o filho e compreender o que havia ocorrido. “Ele apenas percebeu um farol aproximando e ouviu um grande estrondo. Só depois que a poeira baixou que ele percebeu que o filho havia sido atingido”, relatou sargento Giovane, da PMR.